sexta-feira, 5 de abril de 2013

Em nome da fé ou da liberdade?



Muito tem sido discutido sobre toda essa questão de homofobia desde a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias ter sido dada a Marco Feliciano. Não, também não sou a favor de que ele continue no cargo, entretanto toda a proporção a qual chegou essa “manifestação” tem tomado proporções circenses de ambas às partes.

Sou defensor da igualdade de direitos, do respeito ao próximo, da liberdade de escolha e da boa convivência entre todos. Contudo, é preciso que agucemos nossa percepção para que uma luta idealista não vire algo sem propósito, um carnaval ao qual o brasileiro está acostumado.
Todo o movimento GLBT tem propósitos e ideologias bem organizadas e estruturadas, brigam contra o preconceito, e buscam uma condição de vida socialmente igualitária. Porém, tenho visto esse movimento se deteriorar e ser deturpado pela falta de postura daqueles que se dizem aderir à causa, pois estão advogando em causa própria.

Muitas críticas têm sido dirigidas ao Pastor e seu radicalismo, mas não paramos para avaliar o quão radical também tem sido a postura do outro lado. O discurso do evangélico de não se sentir a vontade em ver dois homens se beijando em público está baseado naquilo em que acredita. Concordo que a forma como isso tem sido exposto e tratado pela igreja a qual pertence se dá de forma exacerbada e impositória. Entretanto, por mais evoluídos que possamos parecer, a menos que façamos parte deste pequeno número de homens, gays e que sentem a necessidade dessa demonstração pública de carinho, também nos chamaria a atenção à cena, por mais que não nos consideremos preconceituosos, pela dificuldade de tratar com naturalidade algo ao qual não se está acostumado.

Entendamos. Por mais evoluída e liberal que seja nossa sociedade, ela ainda é machista e restritiva. A educação infantil ainda é feita a base do “certo e errado”, do “pode e não pode”, do “homem foi feito para mulher”. Toda essa restrição psicológica gera adultos radicais, independentemente da condição sexual, raça cor, credo. Não ensinamos nossos jovens a pensar, a encarar a diversidade como principio básico da condição humana.

As mulheres lutaram muito e conseguiram o direito de votar, de trabalhar, de serem independentes, porém sobre elas ainda recai o peso de cuidar da casa e de ser a mantedora da estrutura familiar, a mãe. A elas qualquer conduta que diverge do padrão montado para a figura feminina é tida como “fora dos padrões”, condutas essas que se adotas por um homem não passariam de “algo normal”. Da mesma forma os negros. Por mais que tenham conquistado seu espaço, depois de décadas de luta pela liberdade, sua cor ainda é fator de discriminação e isso está intrínseco no DNA da sociedade. É comum vermos a visibilidade que ganha um negro atingir um cargo como a presidência de uma das maiores potências mundiais. Bom, se não existisse mais nenhuma diferenciação por conta da cor da pele, se vivêssemos num mundo socialmente politizado, esse acontecimento deveria ser algo comum e não teria tomado a proporção midiática que se deu a época pelo fato dos EUA ter eleito seu primeiro presidente negro.

É preciso que o movimento GLBT tenha postura semelhante ao movimento feminista e o movimento racial. É preciso lutar sim, é preciso resistir à pressão de uma sociedade preconceituosa, mas não tentando impor, empurrar goela abaixo a sua ideologia ao outro, pois assim estarão agindo igual. Resistir e buscar a conquista do respeito é o fator determinante para que consigam, com o tempo, fazer valer tantos gritos de liberdade. Para conviver em sociedade é preciso respeitar o direito do outro, direito este que começa onde acaba o seu. A postura do “seja feita e minha vontade” de nada subsidiará qualquer das partes.

Sejamos racionais, demonstrações públicas de carinho devem ser encaradas com naturalidade, porém tenhamos mais empatia, nos coloquemos no lugar do outro. É fácil exigirmos aquilo que nos convém, mas sejamos capazes de entender a necessidade do outro, seja ele gay, hetero, lésbica, bissexual, negro, branco, amarelo. Mais do que igualdade de direitos, preguemos o respeito, pois essa será a base para a formação de uma sociedade no seu sentido etimológico.

Alexandre Rodrigues

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Não à intolerência

Em plena segunda-feira, às 7 da manhã, no caminho para o trabalho me deparo com um ser de jaleco branco, bíblia em punho aos berros em frente ao shopping Iguatemi.

O que ele fazia? 

Bem, pregava o evangelho segundo a sua crença, condenando aqueles que não aceitassem o seu Deus ao inferno.

Questiono-me sobre vários pontos, mas não cabe a mim discuti-los, afinal, disse algum sábio uma vez, religião, sexo e futebol não se discutem.

Contudo, concedo-me o direito de expor o meu ver sobre a minha religião tão condenada e massacrada por uma alienação religiosa que só gera intolerância.
Sabem por que o candomblé sobrevive até os tempos de hoje? Sabe como sobreviveu em outros tempos a perseguições ainda mais cruéis do que as contemporâneas?
Porque o candomblé não deseja provar a sua superioridade, não sai por ai catequizando ou lutando por adeptos, não bate a porta alheia para afirmar que o seu Deus é que deve ser cultuado.

Não!

O candomblé é um chamado. É ele quem escolhe seus filhos, como um vínculo de mãe. Não será visto em qualquer culto, encontro e/ou manifestação do "asé" a pregação ou discriminação de qualquer outra forma de adoração a divindades que não as suas, pois o candomblé, em sua infinita sabedoria de preto velho, entende que é preciso liberdade. A mesma liberdade tão sofrida, porém conquistada pelos negros trazidos escravizados para o Brasil.

O candomblé respeita o livre arbítrio do ser, também, na escolha da sua crença e na sua forma de adorar a energia superior que rege a vida.

E volto à imagem do homem de jaleco branco, não o culpo, ou condeno, ele prega o que acredita. O que abomino é a discriminação, a alienação a qual são expostas mentes fracas e desesperadas por ajuda, por algo que supra a necessidade de amparo a todas as provações terrenas.

A intolerância é fruto da ignorância, não no sentido de burrice, mas em julgar e condenar aquilo que não se conhece. O preconceito nasce do comodismo humano em condenar sem saber a fundo o que está sendo passível de culpa. É preciso humildade para reconhecer que não existem verdades absolutas. É preciso maturidade para entender que a minha verdade não faz a do outro mentira. É preciso sabedoria para aceitar que cada verdade se faz verdade pela capacidade de acreditar nela.

Sou do candomblé... Sim!

Sou filho de santo... Sim!

Tenho orgulho disso... Sim!

E sou coberto de asé por aqueles que me guiam, me cuidam e me protegem.

Digamos não a qualquer tipo de intolerância e preconceito.

"Eu não quero me tolerem, eu quero que me respeitem... Que respeitem o meu direito de ter a minha fé." Makota Valdina

Alexandre Rodrigues

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Nordestino sim senhor.



Hoje, 08 de outubro, é comemorado o dia do Nordestino. Há quem diga que não existem motivos para comemorar, mas ninguém é obrigado a concordar.

Eu não concordo!

Tenho orgulho de ser Nordestino, de ser desta terra de contraste, castigada pelo sol, mas na qual nem as rugas do trabalho na terra seca são capazes de apagar o sorriso que faz os olhos brilharem. Sou banhado pelo mar e pelo Velho Chico, que me inundam de esperança de que um dia tudo há de melhorar.

Sou da terra do início e de onde todo princípio é vital. Foi aqui o começo da civilização brasileira, é daqui que a mão de obra pesada exportada para que tudo possa começar, é deste solo que as matérias primas são colhidas, afinal como reza o ditado “se plantando tudo dá”.

Sou da terra do povo humilde, mas com boa vontade e coração enorme. Pode não haver muito na mesa, mas nunca lhe falta com o que ajudar. Minhas raízes são fortes como o meu sotaque, e em qualquer lugar do mundo serei reconhecido, sem me envergonhar.

Minha essência é a alegria do carnaval, felicidade explosiva e incomensurável, de um povo que trabalha enquanto os turistas brincam, mas sem perder a alegria e a descontração tão características. 

Sou dos versos do baião de Gonzaga, das poesias de Jorge, do romantismo preguiçoso de Caymmi, da ousadia de Gil e Caetano. Nas minhas veias corre o sangue “arretado” de Lampião, as cores do Bumba meu Boi e a graça de um povo de cabeça chata.

E vale rimar.

Na minha terra é verão o ano inteiro, de janeiro a janeiro e o povo daqui também é brasileiro. Meu povo não tem cor, raça, credo, seu principio é o respeito e em seu coração cabe o mundo inteiro. Sou nordestino não por região, mas por paixão e de coração.

Alexandre Rodrigues

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Gente Comum - A senhora da transbordo


Sempre fui muito observador, mas confesso que até para alguém como eu muitas coisas passam desapercebidas. Imagens únicas, exclusivas em meio a multidão que passa por nós diariamente. Já parou para analisar quantas pessoas durante um dia passam por você sem que se lembre do rosto de um décimo delas ao fim de vinte e quatro horas? Hoje me deparei com um que não esquecerei.

Sentada num dos bancos da estação de transbordo do Iguatemi, com a tranquilidade de quem não espera muito mais da vida. O seu ritmo não acompanhava o vai e vem frenético de pessoas que corriam pra todos os lados se amassando para subir em ônibus que fazem ponto ali. 

Aparência frágil, cabelos completamente brancos, pele bem clara. Sua idade não ouso arriscar, mas as marcas em sua pele enrugada pelo tempo mostram que a vida não foi fácil, ainda que seu semblante tranquilo demonstre estado de paz.

Não resisti. Fiquei observando-a até que um vendedor com jeito malandro, ar de aproveitador, se aproximou. Roupas mal cuidadas, cigarro aceso na boca debaixo de um bigode volumoso e desalinhado, sentou-se ao lado da senhora oferecendo-lhe algo.

Intriguei-me. O que aquele senhor poderia oferecer a aquela senhora?

Depois de alguns poucos instantes de conversa ele se afastou e voltou com uma imagem em forma de poster em papel rígido e cintilante de Nossa Senhora Aparecida. Nunca havia visto olhos reluzirem tanto encantamento. Ele deixou que ela segurasse a imagem por um período curto de tempo arrancando-a das mãos logo em seguida. 

Indignei-me. A senhora com dificuldade levantou, retirou algumas moedas do bolso, entregou ao aproveitador e recebeu algumas outras moedas em troca junto com a imagem.

Emocionei-me. Não importava mais o abuso sofrido, ela iluminou-se. Desde que a observara foi o primeiro sorriso, um sorriso que não se vê sempre, era felicidade da mais pura. A senhora apertou a imagem contra o peito como quem acolhe um recém nascido. Mostrou a imagem a um senhor que estava sentado ao seu lado e acompanhava a tudo. Creio que ele também percebeu a alegria que emanava da senhora e, também, sorriu.

Fiquei ali, inerte, observando aquela senhora que se reservava entre apreciar e acolher sua aquisição como um bem valiosíssimo. 

Para onde ela estava indo? Bom, não sei. Penso que depois da imagem, nem ela se importava mais. Entretanto, em um lugar sei que ela permanecerá por muito ainda, em minha lembrança.

Não sei seu nome. Na verdade não sei nada sobre ela, mas seu sorriso de felicidade me mostrou o que ia em sua alma e, assim, me disse tudo.

Alexandre Rodrigues

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Hipocrisia me irrita.


Não costumo me colocar em meio a todas essas polêmicas criadas pela mídia televisiva. Elas criam um tumúlto que, graças a internet, se difundem como uma epidemia.

Entretano, desta vez não consegui me abster.

Depois do depoimento da apresentadora Xuxa no último domingo, 20, para o Fantástico, uma série de posts a respeito da reputação da Rainha dos baixinhos se sucederam nas redes sociais.

O engraçado é que todos a condenam por ter pousado nua, por ter feito um filme - entendamos filme como trabalho artístico no qual se interpreta determinado personagem previamente escrito pelo autor - e contrastando com a atual imagem que, depois de tantos anos, se esforçou para criar e manter.

Desculpem, mas as perguntas são iminentes: 

Será que todos que, hoje, a julgam nunca fizeram nada do qual se arrependessem?

São todos puros ao ponto de nunca terem simplesmente tomado uma decisão equivocada, ou a qual fariam diferente caso pudessem voltar no tempo?

São todos tão acertivos assim?

Vamos cair na real!

São os acertos e erros que fazem o que somos hoje. São os saltos e tropeços que tomamos ao longo do caminho que nos dão maturidade para seguir em frente.

Então, por favor, não percam seu temo julgando alguém que se expõe, porque isso é fácil.

Se quer julgar alguém, julgue a si mesmo.

Avalie sua conduta durante toda sua trajetória até aqui.

Depois analise o resultado.

A você Xuxa... o meu parabéns pelo trabalho social que desempenha, ajudando crianças vítimas de abuso sexual.

Gostaria de ver mais pessoas dedicando seu tempo a apoiar trabalhos semelhantes, a ficar aqui tentando denegrir a imagem alhei.

Alexandre Rodrigues

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Salvador Silenciosa

Nunca imaginei Salvador assim.
As vesperas de uma das maiores manifestações populares do mundo, a cidade que deveria estar pulsando em ritmo de carnaval, encontra-se silenciosa.
O calor que deveria emanar do asfalto super aquecido pelo verão, trasnpira a sensação de insegurança, ansiedade, tensão, medo.
A mídia tenta informar sem aterrorizar, em vão.
Pois quem deveria estar assegurando a integridade física e moral dos soteropolitanos está deixando-os a mercê do acaso e do vandalismo.
Entendo e defendo que a greve é um direito adquirido, desde que, assim como tudo na vida, seja feita com responsabilidade.
Entendo, também, que promessas políticas tenham sido feitas sem que fossem efetivadas dando todo direito a insatisfação da categoria, mas venho lembrar o compromisso feito por todos aqueles que defendem a farda que vestem de manter a ordem e a paz.
Podemos e devemos exigir nosso direitos, afinal isso também é um direito de todos. Mas não podemos, jamais, esquecer os nossos deveres, pois uns garantem os outros numa troca ininterrupta.
Deixar a população em estado de tensão contínua não é digno, já que ao contrário dos políticos que só absorvem, somos nós, cidadãos, que pagamos os impostos e taxas que garantem o salário, ainda que insatisfatório, daqueles que hoje nos abandonam.
E somos nós, cidadãos, que hoje sofremos com a paralisação da Polícia Militar da Bahia!!!
 Alexandre Rodrigues

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Meu grande homem

Homenagem póstuma a meu avô.

A caminho do enterro do meu avô materno pensava no que dizer sobre sua vida. Ijaldir Ferreira Cunha, nascido em 28 de novembro de 1935, teve seu descanço às 2:45 da madrugada do dia 16 de dezembro de 2011.

Meu avô, pode-se pensar, não foi um grande homem, não realizou grandes feitos nem acumulou fortunas. Não tinha planos de mudar o mundo e mesmo conhecendo muitas pessoas, era de poucos amigos.

Mas como avaliar a grandeza de um homem por aquilo que possuiu em vida?

Esse homem que hoje deixa saudades aos seus entes, não se pode negar, apesar de todos os defeitos normais e cabíveis a um ser humano comum, possuio atributos muito mais louváveis e que só agora se fazem perceptíveis de forma transparente.

Homem de jeito simples, mas de uma inteligência pura, livre de títulos, sabedoria de vida. Sujeito de gênio forte, às vezes até grosseiro, mas de um coração enorme. Não lembro de uma só vez que tenha negado um favor, ou faltado aqueles que recorriam a ele. Ao contrário, ajudou sempre que pôde até a quem o machucou de forma irrecuperável.

Coração forte, depois de m acidente quase fatal na juventude, nove AVCs (Acidente Vascular Cerebral) e uma infecção que fez os médicos descreditarem que resistiria, continuou batendo. Até que cansou e numa madrugada, como ele sempre gostou, silenciosamente descançou.

Há quem julgue sua vida como normal, até insignificante, entretanto para mim, meu avô foi um grande homem.

Descance em paz Vô.


Alexandre Rodrigues

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Santo Orixá.



Bahia, terra de misturas, miscigenação, ponto de encontro de culturas e civilizações geograficamente distantes que encontraram em terras brasileiras seu ponto de fusão. Índios, europeus, africanos, com seus costumes, tradições, arquétipos sociais dividindo o mesmo espaço e, assim, sucumbindo às necessidades e dificuldades da convivência.



Dessa relação brotaram estruturas religiosas e sociais que perduram até o presente e diferenciam a Bahia dos demais continentes colonizadores/colonizados. E é sobre a adaptação religiosa que pretendo discorrer de forma superficial e pessoal partindo do pensamento lógico a partir de estudos sobre o candomblé.



Sabe-se que os negros quando aqui chegaram sofreram não só com a escravidão de seu povo, mas com inúmeras tentativas de catequização, tendo sua cultura e religião ameaçadas pelo colonizador europeu. Não pode ser desconsiderado o fato, também, de que os escravos trazidos para o Brasil eram de tribos diferentes e possuíam costumes e formatos culturais distintos, tendo que lidar com esses novos padrões sociais reestruturando sua religião e transformando-a no que conhecemos hoje como candomblé da Bahia.



Temos em nossa cultura para cada Orixá, entidade cultuada no candomblé, um referencial católico, os Santos. Essa associação não foi em vão. Na verdade foi a saída encontrada pelos escravos para cultuar os seus "deuses" sem ofender os seus senhores e o catolicismo, além de não perderem sua identidade africana.



Os orixás não possuem datas comemorativas anuais, eles são saudados de acordo com as necessidades e agradecimentos de cada tribo. Porém, durante a escravidão os negros não tinham liberdade para tais cultos, por esse motivo os arquétipos santos/orixás foram sendo aproximados pelas suas características em comum e, com isso, tiveram suas datas incluídas no calendário católico de acordo com o seu correspondente.



Entretanto, alguns orixás não tiveram associação direta, mas encontram força em lendas e determinações geográficas brasileiras, como é o caso do orixá Yemanjá. Sereia vaidosa, dona das águas salgadas e mãe de todos os orixás - esta última sendo apenas uma de suas lendas - Yemanjá firmou-se perante os pescadores, já que de muitos estados brasileiros a pesca era uma das principais formas de sustento, e de desbravadores marítimos que tinham as sereias como um dos muitos perigos dos mares, capazes de encantar os homens com seu cantos e afundar as embarcações nas quais navegavam.



Por esse motivo, a rainha dás águas salgadas assumiu traços europeus em sua imagem branca, com traços finos e trajes compostos. Convenhamos, se os orixás têm origem africana, como poderia um deles ter cor diferente do povo com quem mantêm o seu cordão umbilical?



Contudo, nem todas as divindades africanas puderam ser contempladas pela associação candomblé/catolicismo, criando um distanciamento e difícil conhecimento de tais entidades tais como: Logunedé, filho de Oxóssi, orixá das matas, e Oxum, orixá das águas doces, e que assume as características de seus pais; Ewa, entidade do canto, das coisas alegres e vivas, orixá da beleza e dos mistérios; Iroko, entidade da ancestralidade, que assume características no candomblé baiano conhecido como angola do orixá Tempo; Obá, guerreira menos vaidosa entre as entidades femininas e terceira esposa do orixá Xangô; entre muitos outros que se perderam no tempo.



Entender a diferenciação entre orixás e santos requer estudo, mente aberta para possibilidades e principalmente para um distanciamento da educação cultural que todo baiano é exposto desde seu nascimento. Somos educados para conviver com a mistura, com o naturalismo de cultos e formas diferentes, com a aproximação temporal de segmentos religiosos distintos em origens e formatações. Não se deve julgar certo ou errado a configuração atual, mas deixar de lado o comodismo de apenas aceitar o que existe para conhecer a pluralidade de uma cultura fascinante como a africana é enriquecer a mente e o espírito. Axé.



Alexandre Rodrigues

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Vendedores a beira de um ataque de nervos


Simpatia, boa comunicação, boa aparência e ótima lábia, essas são as qualidades que todos acham que fazem de um vendedor completo e eficaz. Mas, não é! Defendo até a morte que todos, absolutamente todos, deveriam passar pela experiência na área de vendas.

Ser vendedor é muito mais do que saber identificar a necessidade ou vontade do cliente, é preciso identificar como fazê-lo desejar o algo a mais, fazê-lo sentir-se bem em estar adquiriando determinado produto. Satisfação, não de suas necessidades, mas de seu prazer em comprar. Para quem acha que isso é injusto para com os clientes, provo que não.

Sabe aquela peça de roupa quase perfeita? Pois é, quase. Faltou a ela um centímetro a mais na cintura, um dedo mais alongada na manga, uma cor que não está na cartela da coleção, ou mesmo não pareceu bonita tanto quanto no manequim. Satisfeito? Não?

Então continuemos. Clientes normalmente devem imaginar que a loja se arruma sozinha, só isso explicaria a necessidade de desdobrar todos as peças de uma pilha de roupas milimetricamente arrumadas para sua admiração à procura do tamanho. Alguém já pensou em perguntar ou mesmo pedir ao vendedor o tamanho correto do produto desejado? Dá trabalho ter que arrumar por inúmeras vezes a mesma seção e manter o bom humor.

Entendo, também, que existem clientes de desejo, aqueles que não necessariamente precisam de algo, mas a vontade de elevar a auto estima presenteando-se a si mesmo. Mas, convenhamos, ainda que a intenção de compra não seja efetiva, é preciso experimentar a loja inteira, fazer o vendedor subir e descer escadas com pilhas de roupa para terminar o atendimento com um: "obrigado, mas nada ficou bom". Oras, ainda que fosse uma peça de ouro, conceituada por todos os estilistas como uma obra de arte e, ainda, estivesse a custo quase zero, não era a peça o problema, mas quem a usa. Ou isso, ou o simples prazer em ter alguém servindo-o. Prefiro acreditar na primeira hipótese.

Por fim, e não menos importante, todos sabemos que qualquer loja possui horário de funcionamento, correto? Creio que não, pois existem aqueles que insistem em chegar minutos antes do fechamento e prolongar-se por tempos, muitas vezes, infindáveis. Entendo que imprevistos acontecem e que, em casos específicos, ocorra a necessidade de um atendimento em horário extra funcionamento de loja. Mas, alguém já se deu conta que o funcionário ali presente e simpático trabalhou todo o seu período e não está ganhando hora extra? Pensou que ele pode perder a condução e ter que ficar mais uma hora no ponto de ônibus esperando a próxima?

Enfim, apesar do desabafo de muitas bocas terem tomado corpo em forma de texto, continuarão atendendo com qualidade cada cliente que vier com intenção de compra, afinal são como um patrão rabugento, precisamos tratá-lo bem, pois é ele que paga nosso salário ainda que estejamos a beira de um ataque de nervos.

Alexandre Rodrigues

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Neandertal pós moderno


Vizinho mata outro a tiros por causa de vaga de garagem. Adolescente mata colega de escola a tiros por dividia de R$20. Menino de treze anos esfaqueia amigo de dez por derrota em jogo de videogame. Mulher é espancada pelo marido e decide não prestar queixa. Professor é agredido por aluno em sala de aula. Mães jogam filhos recém-nascidos em lata de lixo. O que está acontecendo?

Estamos na era da intolerância, parece deixarmos que o nosso lado irracional nos domine, ignorando o bom senso e o uso da fala que tanto nos esforçamos para fazer-se entender. Não, não podemos comparar o homem aos animais, estes últimos em seu habitat atacam apenas para comer e/ou defender seu território, lei natural da sobrevivência. Não existe violência gratuita como as tão frequentemente vistas nos noticiários diários.

Psicólogos e estudiosos defendem vertentes para esclarecer o que acontece, criam nomes e teorias para explicar comportamentos agressivos e justificam tudo como sociopatias e síndromes fajutas que não passam de tentativas de amenizar a angústia generalizada que assolou a sociedade.

O bulliyng, por exemplo, sempre existiu e se tratava de algo normal até a década de noventa. Brincadeiras agressivas de crianças que precisavam de um pouco mais de atenção para suprir a ausência dos pais em suas vidas. Mas quando isso passa de exceção a regra? E quando a estrutura social muda? Será que tudo acompanha? Pelo visto precisamos rever esse conceito, ao invés de tentar justificar os atos cometidos e que não tem como serem evitados.

Deram-nos o direito de exigir nossos direitos, de gritar pelo que acreditamos, mas nossas vozes parecem mudas. Há, ainda, o medo de represálias, de sermos calados de maneira definitiva. Voltamos à lei da selva, na qual vence o mais forte e, na selva de pedra, os mais fortes não necessariamente tem o porte atlético e precisam sujar as mãos. Usam roupas finas, frequentam lugares requintados e se preocupam com o corpo apenas por estética. Dificilmente sabemos quem são, possuem tantos sob seu controle que formam verdadeiros bandos com sub-hierarquias sob seu comando e quando são pegos não a justiça sobre eles, pois eles são a justiça.

Voltamos à era dos homens das cavernas, num processo de involução, retrocedemos no tempo e viramos primatas pós-modernos resolvendo tudo na pancada sem apelar para o diálogo. Não queremos saber quem estar com a razão, queremos tê-la a qualquer custo. Deixamos de dar valor a vida quando passamos a dar valor demais à riqueza. Aproveitamos a modernidade e trocamos os tacapes (pedaços de madeira usados para caçar) por armas e jogos de interesses.

Exterminamos os dinossauros e estamos fazendo o mesmo com nossa fauna e, como já não temos mais a quem dominar, por que não fazer isso com o nosso igual? Afinal somos seres superiores, Neandertals do século XXI com direito sobre o mundo que habitamos e sem leis para controlar-nos.

Alexandre Rodrigues

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Daybreak


Acabo de chegar do cinema, vício que faço questão de alimentar, e se me perguntarem se indicaria o filme que acabo de assistir, a resposta seria: sim!

Morning Glory, adaptado para o cinema brasileiro com o título Uma manhã gloriosa, não é uma superprodução, muito menos tem um enredo fascinante. Trata-se de uma comédia leve e simples, daquelas as quais não se percebe passar os 107 minutos de filmagem.

O filme conta a história de uma jovem produtora executiva, interpretada por Rachel McAdams, que depois de ser despedida do seu emprego tem como única oportunidade de sucesso um programa de TV matinal condenado ao fracasso.

Não, não esperem grandes efeitos cinematográficos, muito menos grandes discussões sobre o futuro da humanidade, o sucesso do filme fica por conta de uma história simples e atuações, digamos, surpreendentes de atores consagrados como Harrison Ford, que interpreta um âncora egoísta em fim de carreira que se acha bom demais para o programa que é o obrigado a apresentar, e a plástica Diane Keaton, que interpreta uma ex-rainha da beleza e personalidade de longa data do programa matutino e que está mais do que satisfeita apresentando as "notícias" das manhãs.

Se você é do tipo que gosta de grandes filmes, não perca seu tempo. Mas se for um bom apreciador de cinema, vale a pena assistir Uma manhã gloriosa e se divertir com essa revitalizante história que vai questionar até onde vão os seus sonhos e o quanto você está disposto de fazer acontecê-los.

Bom filme.

Alexandre Rodrigues

quinta-feira, 24 de março de 2011

Quanto tempo???

Quanto tempo temos disponível??? Tempo para uma sessão de cinema, para um jantar romântico, para um papo com um amigo??? Vivemos tão acostumados com a velocidade cada vez mais rápida da internet que estamos fazendo de bites, horas.

Estava pondo em prática um hábito, digamos vício meu (cinema), quando me deparei com a seguinte situação: fim de filme, as luzes nem acenderam ainda e dezenas de pessoas já encontram-se de pé dirigindo-se a saída.

Meu Deus, seria demais esperar que o cast de atores começasse a subir na tela para que devagar e preguiçosamente pudéssemos levantar e nos dirigir ao lanche/jantar discutindo o que acabamos de ver???

Não... seria realmente pedir demais!!! O filme já acabou, o que estamos fazendo aqui ainda sentados??? Alguém já se perguntou o porquê de as luzes demorarem de acender e fazerem isso de forma lenta e suave??? O proquê de pedirem no início da sessão que desliguemos os celulares???

A idéia de uma sala escura, climatizada e sem interferências externas é para que possamos nos delisgar do mundo e sucumbir a algumas horas de fantasia. Poder esquecer a realidade tão corrida e dura e relaxar com uma história de um gênero que nos agrade. Os letreiros finais não estão ali apenas para que saibamos quem fez o que no filme que acabamos de assistir, afinal se esse fosse o único propósito as letras deveriam vir em tamanhos maiores.

Mais do que simplesmente o elenco e equipe técnica, aqueles minutos finais são a volta a realidade feita de forma sútil, com uma boa música, com as luzes se acendendo de forma gradativa para não termos aquela sensação de irritação nos olhos. É o momento da espriguiçada preguiçosa, do "gostei" ou "não gostei", a hora de refletir sobre o que acabamos de ver.

Entretanto, temos muito mais o que fazer do que simplesmente esperar que o letreito suba com um milhão de nomes que nunca nem se quer ouvimos falar em toda nossa vida. A um mundo lá fora que não parou para esperar que saíssemos da sessão de cinema, que por sinal é um luxo quase desnecessário já que podemos comprar um dvd pirata de um lançamento em qualquer esquina e assistir no conforto da nossa casa, ou mesmo baixar no iphone.

O tempo que cada vez mais segue como um papa léguas, em velocidade inalcansável, têm nos trasnformados em lentos coiotes e nem temos nos dado conta disso. Afinal, se não temos tempo de ir ao cinema e se deliciar com toda sua magia, quem dirás pensar na velocidade que a vida tem passado.

Alexandre Rodrigues

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Discurso de Fomratura


Durante toda minha vida imaginei como seria esse momento, como seria estar aqui e falar na frente de todos e confesso que nenhuma das minhas expectativas chegou se quer perto da real sensação de resumir uma história de quatro anos, para alguns até mais do que isso, em alguns minutos de discurso. Bem, o momento chegou e aqui estamos, realizando um sonho, mas a fantasia deixamos apenas para esse momento especifico, pois durante o período que estivemos juntos construindo nosso conhecimento, tivemos que lidar com realidades duras e se conseguimos foi com muita força, paciência e acima de tudo perseverança. Estamos aqui hoje celebrando o fim de um ciclo e o inicio de um novo. Depois de tanto tempo, finalmente a comemoração de mais uma vitória. Entre aulas, trabalhos, provas, estresses, correrias, a força e a vontade de chegar até aqui foi ainda maior fazendo-nos lutar por aquilo em que acreditamos. Mas não é o final. Nos conhecemos jovens, descobrindo o mundo e nos tornamos adultos juntos. Acompanhamos não só a trajetória da formação profissional, mas o crescimento e amadurecimento pessoal do outro, compartilhando momentos dos mais varidos. Mais do que colegas de faculdade e agora de profissão, nos tornamos amigos e esse laço não sucumbi a distância física, sim ela é real e a partir de agora cada um de nós tomara o seu caminho e para muitos será cada vez mais dificil o contato diário ao qual estavamos acostumados, porém não importa em que lugar do globo estejamos, cada vez que lembrarmos da época da faculdade teremos a certeza de que fizems amigos de uma vida inteira e não importa a geografia eles continuarão bem perto de nós, pois os traremos gravados em nossas memórias e em nossos corações.

Enfim, hoje é dia de comemoração, de conquista, mas nenhuma vitória é solitária e nenhum vencedor responsável por todo o mérito, por isso é o momento também de registrar e agradecer aqueles que nos ajudaram a chegar até aqui.

Primeiro quero agradecer ao Cara La De Cima, independentemente do nome que receba, é fato que existe uma força maior que rege todo esse movimento ciclico chamado vida, e à Ele o agradecimento pelo dom que nos foi dado de estarmos aqui entre muitos queridos vivenciando essa experiência única em nossas vidas. Maktub.

Não há como não agradecer também aos nossos pais, sejam biológicos, de coração, de afeto, de respeito, deixemos registrado o agradeciento pelas oportunidades e pela dedicação de uma vida. Estarmos aqui hoje não é um sonho só nosso, mas a realização de algo maior, a qual vocês junto conosco compartilharam de forma milimétrica e estão aqui em cima também representados, pois essa conquista não seria possível sem o apoio, sem a educação, sem a dedicação, sem os esporros, sem os puxões de orelha e principalmente por muitas vezes terem deixado de lado seus proprios sonhos para que pudessemos realizar os nossos. Por isso fica o nosso mais sincero agradecimento.

Mas outros também compartilharam essa trajetória árdua de forma tão intensa quanto nós. Aqueles que estiveram sempre ao nosso lado nos aconselhando, ou mesmo apenas em silêncio, mas a simples presença nos dava força e apoio para continuar. Nossos familiares, irmãos, avós, padrinhos, tios, primos, a vocês que formam as bases de nossa educação e respeito ao próximo o nosso muito obrigado.

É preciso, também, agradecer às nossas fontes de conhecimento e de inspiração. Muito mais do que professores, mestres de uma vida. Foram árduas e infinitas aulas, porém mais do que didática, paciência e muito desgaste, vocês contribuíram para formação, não só de profissionais, mas de seres mais humanos. Tenham certeza que o conhecimento compartilhado não foi em vão e ainda que nos falte experiência, os conselhos e palavras ecoarão em nossas mentes fazendo-nos encarar a vida de jornalistas com o dicernimento necessário para fazer a coisa certa. Por isso, o nosso muito obrigado aos aqui presentes, aos ausentes, aos primeiros, aos sempre, aos nossos professores e mestres.

Há ainda aqueles que estiveram sempre ao nosso lado, independentemente da epóca em que entraram em nossas vidas. Os amigos. Amigos são irmãos que vida se encarrega de colocar na vida da gente, então só é preciso reconhce-los. Como escreveu o jornalista por vida Paulo Sant´ana, “eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos [...]porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo”. Então para vocês meus, nossos amigos, o agradecimento pela compreensão, pela presença, pelo ombro, pela cumplicidade e pela amizade.

Registrados, ainda que superficialmente, o nosso agradecimento a todos que partriciparam dessa nossa vitória, volto a vocês, jornalistas, amigos. Podemos encarar isso como um fim, mas acreditem , é apenas o começo de nossas vidas. E alguns desejos se fazem presentes. Desejo que sejamos ainda mais guerreiros para nos tornar os melhores em tudo que tenhamos pretensão de realizar, mas que nunca nos falte a humildade necessária pra saber que ninguém é tão bom que não possa ser substiuído. Desejo que possamos ter a certeza que pedir ajuda não nos faz incapaz de realizar uma tarefa, entretanto por mais que sejamos rapidos sozinhos, chegaremos muito mais longe se tivermos com quem compartilhar planos. Desejo que tenhamos coragem de começar de novo, recomeçar, e inúmeras vezes se for necessário, porque nunca é tarde para mudar. Mudemos, pois nada que permaneça inerte evolui. Ousemos, pois correr riscos faz parte do sucesso e só aqueles que ousam conseguem destacar-se. Erremos, pois ninguém é perfeito e errando também se cresce. Contudo, sejamos felizes fazendo aquilo que nos propusemos desde o início, porque viver sem paixão é apenas existir e estamos aqui para fazer a diferença.

Então que a diferença seja feita.

Parabéns Jornalistas!!!

Obrigado.

Alexandre Rodrigues