Em plena segunda-feira, às
7 da manhã, no caminho para o trabalho me deparo com um ser de jaleco branco,
bíblia em punho aos berros em frente ao shopping Iguatemi.
O que ele fazia?
Bem, pregava o evangelho
segundo a sua crença, condenando aqueles que não aceitassem o seu Deus ao
inferno.
Questiono-me sobre vários
pontos, mas não cabe a mim discuti-los, afinal, disse algum sábio uma vez,
religião, sexo e futebol não se discutem.
Contudo, concedo-me o
direito de expor o meu ver sobre a minha religião tão condenada e massacrada
por uma alienação religiosa que só gera intolerância.
Sabem por que o
candomblé sobrevive até os tempos de hoje? Sabe como sobreviveu em outros
tempos a perseguições ainda mais cruéis do que as contemporâneas?
Porque o candomblé
não deseja provar a sua superioridade, não sai por ai catequizando ou lutando
por adeptos, não bate a porta alheia para afirmar que o seu Deus é que deve ser
cultuado.
Não!
O candomblé é um
chamado. É ele quem escolhe seus filhos, como um vínculo de mãe. Não será visto
em qualquer culto, encontro e/ou manifestação do "asé" a pregação ou discriminação
de qualquer outra forma de adoração a divindades que não as suas, pois o candomblé,
em sua infinita sabedoria de preto velho, entende que é preciso liberdade. A
mesma liberdade tão sofrida, porém conquistada pelos negros trazidos
escravizados para o Brasil.
O candomblé respeita
o livre arbítrio do ser, também, na escolha da sua crença e na sua forma de
adorar a energia superior que rege a vida.
E volto à imagem do
homem de jaleco branco, não o culpo, ou condeno, ele prega o que acredita. O
que abomino é a discriminação, a alienação a qual são expostas mentes fracas e
desesperadas por ajuda, por algo que supra a necessidade de amparo a todas as
provações terrenas.
A intolerância é
fruto da ignorância, não no sentido de burrice, mas em julgar e condenar aquilo
que não se conhece. O preconceito nasce do comodismo humano em condenar sem
saber a fundo o que está sendo passível de culpa. É preciso humildade para
reconhecer que não existem verdades absolutas. É preciso maturidade para
entender que a minha verdade não faz a do outro mentira. É preciso sabedoria
para aceitar que cada verdade se faz verdade pela capacidade de acreditar nela.
Sou do candomblé...
Sim!
Sou filho de santo...
Sim!
Tenho orgulho
disso... Sim!
E sou coberto de asé
por aqueles que me guiam, me cuidam e me protegem.
Digamos não a qualquer tipo de intolerância e
preconceito.
"Eu não quero me tolerem, eu quero que me respeitem... Que respeitem o meu direito de ter a minha fé." Makota Valdina
Alexandre Rodrigues
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