sexta-feira, 8 de abril de 2011

Daybreak


Acabo de chegar do cinema, vício que faço questão de alimentar, e se me perguntarem se indicaria o filme que acabo de assistir, a resposta seria: sim!

Morning Glory, adaptado para o cinema brasileiro com o título Uma manhã gloriosa, não é uma superprodução, muito menos tem um enredo fascinante. Trata-se de uma comédia leve e simples, daquelas as quais não se percebe passar os 107 minutos de filmagem.

O filme conta a história de uma jovem produtora executiva, interpretada por Rachel McAdams, que depois de ser despedida do seu emprego tem como única oportunidade de sucesso um programa de TV matinal condenado ao fracasso.

Não, não esperem grandes efeitos cinematográficos, muito menos grandes discussões sobre o futuro da humanidade, o sucesso do filme fica por conta de uma história simples e atuações, digamos, surpreendentes de atores consagrados como Harrison Ford, que interpreta um âncora egoísta em fim de carreira que se acha bom demais para o programa que é o obrigado a apresentar, e a plástica Diane Keaton, que interpreta uma ex-rainha da beleza e personalidade de longa data do programa matutino e que está mais do que satisfeita apresentando as "notícias" das manhãs.

Se você é do tipo que gosta de grandes filmes, não perca seu tempo. Mas se for um bom apreciador de cinema, vale a pena assistir Uma manhã gloriosa e se divertir com essa revitalizante história que vai questionar até onde vão os seus sonhos e o quanto você está disposto de fazer acontecê-los.

Bom filme.

Alexandre Rodrigues

quinta-feira, 24 de março de 2011

Quanto tempo???

Quanto tempo temos disponível??? Tempo para uma sessão de cinema, para um jantar romântico, para um papo com um amigo??? Vivemos tão acostumados com a velocidade cada vez mais rápida da internet que estamos fazendo de bites, horas.

Estava pondo em prática um hábito, digamos vício meu (cinema), quando me deparei com a seguinte situação: fim de filme, as luzes nem acenderam ainda e dezenas de pessoas já encontram-se de pé dirigindo-se a saída.

Meu Deus, seria demais esperar que o cast de atores começasse a subir na tela para que devagar e preguiçosamente pudéssemos levantar e nos dirigir ao lanche/jantar discutindo o que acabamos de ver???

Não... seria realmente pedir demais!!! O filme já acabou, o que estamos fazendo aqui ainda sentados??? Alguém já se perguntou o porquê de as luzes demorarem de acender e fazerem isso de forma lenta e suave??? O proquê de pedirem no início da sessão que desliguemos os celulares???

A idéia de uma sala escura, climatizada e sem interferências externas é para que possamos nos delisgar do mundo e sucumbir a algumas horas de fantasia. Poder esquecer a realidade tão corrida e dura e relaxar com uma história de um gênero que nos agrade. Os letreiros finais não estão ali apenas para que saibamos quem fez o que no filme que acabamos de assistir, afinal se esse fosse o único propósito as letras deveriam vir em tamanhos maiores.

Mais do que simplesmente o elenco e equipe técnica, aqueles minutos finais são a volta a realidade feita de forma sútil, com uma boa música, com as luzes se acendendo de forma gradativa para não termos aquela sensação de irritação nos olhos. É o momento da espriguiçada preguiçosa, do "gostei" ou "não gostei", a hora de refletir sobre o que acabamos de ver.

Entretanto, temos muito mais o que fazer do que simplesmente esperar que o letreito suba com um milhão de nomes que nunca nem se quer ouvimos falar em toda nossa vida. A um mundo lá fora que não parou para esperar que saíssemos da sessão de cinema, que por sinal é um luxo quase desnecessário já que podemos comprar um dvd pirata de um lançamento em qualquer esquina e assistir no conforto da nossa casa, ou mesmo baixar no iphone.

O tempo que cada vez mais segue como um papa léguas, em velocidade inalcansável, têm nos trasnformados em lentos coiotes e nem temos nos dado conta disso. Afinal, se não temos tempo de ir ao cinema e se deliciar com toda sua magia, quem dirás pensar na velocidade que a vida tem passado.

Alexandre Rodrigues

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Discurso de Fomratura


Durante toda minha vida imaginei como seria esse momento, como seria estar aqui e falar na frente de todos e confesso que nenhuma das minhas expectativas chegou se quer perto da real sensação de resumir uma história de quatro anos, para alguns até mais do que isso, em alguns minutos de discurso. Bem, o momento chegou e aqui estamos, realizando um sonho, mas a fantasia deixamos apenas para esse momento especifico, pois durante o período que estivemos juntos construindo nosso conhecimento, tivemos que lidar com realidades duras e se conseguimos foi com muita força, paciência e acima de tudo perseverança. Estamos aqui hoje celebrando o fim de um ciclo e o inicio de um novo. Depois de tanto tempo, finalmente a comemoração de mais uma vitória. Entre aulas, trabalhos, provas, estresses, correrias, a força e a vontade de chegar até aqui foi ainda maior fazendo-nos lutar por aquilo em que acreditamos. Mas não é o final. Nos conhecemos jovens, descobrindo o mundo e nos tornamos adultos juntos. Acompanhamos não só a trajetória da formação profissional, mas o crescimento e amadurecimento pessoal do outro, compartilhando momentos dos mais varidos. Mais do que colegas de faculdade e agora de profissão, nos tornamos amigos e esse laço não sucumbi a distância física, sim ela é real e a partir de agora cada um de nós tomara o seu caminho e para muitos será cada vez mais dificil o contato diário ao qual estavamos acostumados, porém não importa em que lugar do globo estejamos, cada vez que lembrarmos da época da faculdade teremos a certeza de que fizems amigos de uma vida inteira e não importa a geografia eles continuarão bem perto de nós, pois os traremos gravados em nossas memórias e em nossos corações.

Enfim, hoje é dia de comemoração, de conquista, mas nenhuma vitória é solitária e nenhum vencedor responsável por todo o mérito, por isso é o momento também de registrar e agradecer aqueles que nos ajudaram a chegar até aqui.

Primeiro quero agradecer ao Cara La De Cima, independentemente do nome que receba, é fato que existe uma força maior que rege todo esse movimento ciclico chamado vida, e à Ele o agradecimento pelo dom que nos foi dado de estarmos aqui entre muitos queridos vivenciando essa experiência única em nossas vidas. Maktub.

Não há como não agradecer também aos nossos pais, sejam biológicos, de coração, de afeto, de respeito, deixemos registrado o agradeciento pelas oportunidades e pela dedicação de uma vida. Estarmos aqui hoje não é um sonho só nosso, mas a realização de algo maior, a qual vocês junto conosco compartilharam de forma milimétrica e estão aqui em cima também representados, pois essa conquista não seria possível sem o apoio, sem a educação, sem a dedicação, sem os esporros, sem os puxões de orelha e principalmente por muitas vezes terem deixado de lado seus proprios sonhos para que pudessemos realizar os nossos. Por isso fica o nosso mais sincero agradecimento.

Mas outros também compartilharam essa trajetória árdua de forma tão intensa quanto nós. Aqueles que estiveram sempre ao nosso lado nos aconselhando, ou mesmo apenas em silêncio, mas a simples presença nos dava força e apoio para continuar. Nossos familiares, irmãos, avós, padrinhos, tios, primos, a vocês que formam as bases de nossa educação e respeito ao próximo o nosso muito obrigado.

É preciso, também, agradecer às nossas fontes de conhecimento e de inspiração. Muito mais do que professores, mestres de uma vida. Foram árduas e infinitas aulas, porém mais do que didática, paciência e muito desgaste, vocês contribuíram para formação, não só de profissionais, mas de seres mais humanos. Tenham certeza que o conhecimento compartilhado não foi em vão e ainda que nos falte experiência, os conselhos e palavras ecoarão em nossas mentes fazendo-nos encarar a vida de jornalistas com o dicernimento necessário para fazer a coisa certa. Por isso, o nosso muito obrigado aos aqui presentes, aos ausentes, aos primeiros, aos sempre, aos nossos professores e mestres.

Há ainda aqueles que estiveram sempre ao nosso lado, independentemente da epóca em que entraram em nossas vidas. Os amigos. Amigos são irmãos que vida se encarrega de colocar na vida da gente, então só é preciso reconhce-los. Como escreveu o jornalista por vida Paulo Sant´ana, “eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos [...]porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo”. Então para vocês meus, nossos amigos, o agradecimento pela compreensão, pela presença, pelo ombro, pela cumplicidade e pela amizade.

Registrados, ainda que superficialmente, o nosso agradecimento a todos que partriciparam dessa nossa vitória, volto a vocês, jornalistas, amigos. Podemos encarar isso como um fim, mas acreditem , é apenas o começo de nossas vidas. E alguns desejos se fazem presentes. Desejo que sejamos ainda mais guerreiros para nos tornar os melhores em tudo que tenhamos pretensão de realizar, mas que nunca nos falte a humildade necessária pra saber que ninguém é tão bom que não possa ser substiuído. Desejo que possamos ter a certeza que pedir ajuda não nos faz incapaz de realizar uma tarefa, entretanto por mais que sejamos rapidos sozinhos, chegaremos muito mais longe se tivermos com quem compartilhar planos. Desejo que tenhamos coragem de começar de novo, recomeçar, e inúmeras vezes se for necessário, porque nunca é tarde para mudar. Mudemos, pois nada que permaneça inerte evolui. Ousemos, pois correr riscos faz parte do sucesso e só aqueles que ousam conseguem destacar-se. Erremos, pois ninguém é perfeito e errando também se cresce. Contudo, sejamos felizes fazendo aquilo que nos propusemos desde o início, porque viver sem paixão é apenas existir e estamos aqui para fazer a diferença.

Então que a diferença seja feita.

Parabéns Jornalistas!!!

Obrigado.

Alexandre Rodrigues

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Seja feita a MINHA vontade


Depois de muito tempo sem escrever venho novamente dar o ar da graça. Não por falta de vontade, mas em fase de conclusão de curso e outros afazeres que me tomam o tempo, a dedicação a escrita voluntária torna-se quase impossível. Mas enfim, aqui estou de volta.

Cobrindo uma sessão especial sobre violência na Câmara Municipal de Madre de Deus, em meio a discursos calorousos, pedido de ajuda e investidas dos cidadãos sobre os políticos e oficiais ali presentes, alguns supostos culpados foram nomeados. Entretanto, um deles me chamou a atenção pela ênfase e repetição nas falas da maioria: a segregação familiar.

De certo a estrutura familiar mudou. As mães deixaram o lar para ganhar o mercado de trabalho, os pais, que já eram acostumados a estar sempre fora mantendo a família, agora intensificam essa busca por uma melhor condição, devido ao alto custo de vida e a demanda cada vez maior de profissionais para um mercado cada vez mais enchuto. Os filhos agora são criados por babás, creches, escolas que ofereccem atividades extracurriculares para preencher o tempo ocioso, ou mesmo são deixados com irmãos mais velhos – as vezes nem tão velhos assim – para que os pais possam sair e conquistar o pão de cada dia.

É fato que os tempos mudaram e entramos hoje numa sociedade mais permissiva do que as que nos antecedem. Essa permissividade exacerbada, desmedida, traz como consequência uma inversão nas relações de poder que deteriora os valores educacionais. Para compensar a ausência, os pais terminam exagerando nos mimos e/ou liberdade como uma tentativa de minimizar os danos. Ainda pode-se citar os casos de por falta de uma estrtura familiar saudável, o “não saber lidar com a situação” gera uma falsa visão de que “o que não tem remédio, remediado está”.

Contudo, tivemos sempre o ensinamento que representamos na vida a educação que tivemos em casa. Mas, e se não houver uma educação exemplar, o que seremos? Essa sociedade que temos hoje é um reflexo, digamos, primário dessa “falta de educação doméstica”. Logo, se não há uma figura a ser respeitada no ambiente familiar como implementar padrões de respeito e de hierarquia?

Pais sem autoridade geram crianças sem limites. Crianças sem limites tornam-se alunos sem senso de hierarquização, jovens sem senso não sabem o siginificado da palavra respeito. E essa bola de neve se agrava de tal forma que, quem deveria estar educando, está se tornando refém dessa geração ditadora da sua vontade. Pais não tem mais controle sobre seus filhos, professores são agredidos se contrariam a vontade dos seus alunos, até mesmo policiais são enfrentados se colocarem-se entre um desses jovens e suas vontades.

Em meio a tanta falha no sistema familiar-educacional, ainda nos deparamos com leis que defendem esses ditadores juvenis: o Estatuto da Criança e do Adolescente. É compreensível que exista uma média etária para definir a maioridade, porém um jovem capaz de fazer valer suas vontades/desejos, capaz de enfrentar pais e educadores e, indo ainda mais longe, capaz de, apesar de ter noção de certo e errado, infringir normas e regras sem se preocupar com as consequências pela sua condição de menor, deveria, também, ser observado como responsável por suas ações.

Não estou aqui querendo fazer apologia a agressão contra menores, muito menos a flexibilização do sistema de julgamentos, porém a falta de uma conduta padrão exige uma reavaliação nos conceitos de uma sociedade que usa o termo “moderma” para camuflar a postura excessivamente permissiva. Talvez estejamos precisando nos permitir comparar essa geração com as anteriores e, até mesmo, adotar posturas consideradas obsoletas. Afina, como diz meu avô: "Uma boa palmada nunca matou ninguém”.

Alexandre Rodrigues

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Feliz 2010!!!

Mais um ano vai chegando ao fim e parece que só nesse período paramos para pensar em tudo que fizemos pensando e/ou não.
Momento de intimismo, de introspecção e autoavaliação de conduta e de caminhos, de percursos.
Talvez seja a única época na qual realmente coloquemos na balança tudo que experimentamos e vivenciamos no ano que está chegando ao final.
Chega a ser engraçado, afinal nessa hora fazemos o processo inverso a tantas previsões. Já reparam que em toda entrevista, tenha o objetivo que tiver, todos desejam saber o que, onde e como você imagina estar daqui a um determinado espaço de tempo a frente? Ninguém jamais parou pra me perguntar ou eu imaginei estar exatamente agora a cinco anos atrás, por exemplo.
Por que só próximo a o inicio de um novo ano fazemos essa reflexão?
Seria tão desolador se deparar com uma realidade muito distante da que idealizamos?
Ou o medo de uma frustração nos faz preferir sempre imaginar o futuro?
Alguém uma vez disse que deveríamos olhar não o quanto nos falta percorrer, mas o quanto já percorremos até aqui.
Nossa! Quanta contradição. É de pirar mesmo.
Bom, há cinco anos atrás imaginava que hoje minha vida estaria bem diferente do real e isso deveria soar deprimente, afinal idealizara algo muito mais grandioso. Deveria me martirizar por isso?
Não!
Caminhos foram desviados, rotas foram transpostas, curvas foram burladas e tudo isso não indica que me perdi.
Foi através desse caminho louco e sem mapa que conheci pessoas inesquecíveis, por sua vez esqueci outras que pensei serem insubstituíveis. Percebi que não importa onde chegaremos, nem onde paramos, muito menos onde deveríamos estar, o importante é o trajeto, a aventura de estar sempre seguindo, o que vivenciamos pelo caminho.
Tudo o que levamos da vida são impressões. Aquele sorriso que nos faz rir só de lembrar; a saudade de um abraço carinhoso como nunca experimentamos igual; o gosto de algo que jamais imaginamos sentir; aquela brisa que parece afagar a face dando-nos a vontade de voar.
Existem aqueles que fizeram à diferença no mundo, que terão seus nomes marcados na eternidade. Não sou um desses! Contudo, com certeza sou, e tenho em minha vida, aquele(s) que fez a diferença na vida de outros que cruzaram o meu caminho e deles algo também ficou em mim. Minhas impressões. Suas impressões. Nossas impressões.
Delas independem distancia, tempo, cor, cheiro, tudo, nada. Elas estão entranhadas em nós e assim permanecerão até que nossos caminhos ganhem outros caminhos, juntos, separados, sozinhos, aqui, ou em qualquer outro mundo.
Pessoas que fazem diferença não se perdem nunca, pois estarão sempre perto, dentro da gente, fazem parte de nós.
Então, queria dizer que você fez a diferença em minha vida e que estará comigo sempre, a todo instante, em mim.
Que em 2010 possamos reavivar ainda mais os laços de afeto e amor que faz de nós pessoas capazes de fazer a diferença...
Feliz ano novo!!!
Alexandre Rodrigues

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Do começo ao fim!!!

Depois de inúmeras críticas ora positivas, ora negativas, finalmente fui assistir e não me arrependo.

Confesso que de início receie o fato de cairmos no clichê quanto à homoafetividade, definindo assim a relação entre pessoas do mesmo sexo já que tantos discursos se fazem a respeito da nomenclatura.

Paguei pra ver e foi bem pago.

Um filme que teria tudo para ser polêmico e abordar tantos e já massacrados temas, se vale apenas de um ponto marcante: o amor.

Sim, um amor incondicional entre duas pessoas, não levando em consideração o sexo delas, ou a relação que possuem, ou o vinculo afetivo que as manteve juntas, apenas o amor.

O que vi foi à relação vivida intensamente por dois belos jovens de forma sutil e romântica, mostrando que não importa o que fomos educados para pensar, sentimento não é feito de lucidez, mas sim abstração. Muito mais do que corpos e sexo, o que é mostrado são pessoas que se amam e acreditam numa ligação que se desnuda de qualquer entendimento.

O filme não ostenta discursos políticos a respeito de sexualidade, nem fere a moral e os bons costumes de uma sociedade obsoleta. Apenas fala de amor.

Porém, durante toda minha estada na frente daquela enorme tela ouvi, sem conseguir desviar meus olhos das imagens, muitas criticas machistas, e não digo por parte só de homens, a respeito das cenas de beijo e de nu.

Ora, pergunto-me, quantos e quantos filmes já mostraram cenas muito mais sexualizadas do que as apresentadas ali? O que as diferencia e choca é somente o fato de serem dois homens?

Não tolero hipocrisia, muito menos pessoas com mente pequena. O que choca no filme não são as cenas consideradas "fortes" por muitos, mas a intensidade de algo tão puro capaz de neutralizar qualquer conceito pré-estabelecido a respeito do amor.

Não vi cenas que pudessem ser censuradas, não vi diálogos que precisassem ser cortados, não vi motivo para tanta excitação.

Vi sim uma bela estória de um romance que teria tudo para dar errado, mas deu certo.

Ora, se você vai assistir a um filme, entende-se que previamente procurou saber do que se trata a sua história. Se sabe do que se trata e não tem maturidade para assistir com uma visão crítica do ponto de analisar o enredo para perceber o que se quer discutir, não assista.

Para aqueles que aceitam opinião, assistam. É um ótimo filme

Alexandre Rodrigues

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Música e proximidade com o divino


Pediram-me para escrever sobre a relação de música e religião. De fato não tenho muita bagagem para discorrer sobre o assunto, porém não poderia recusar o convite em se tratando de uma pessoa tão querida e de algo que me proporciona tanto prazer: escrever.

Confesso que não havia feito nenhuma reflexão até o momento em que Fabrício me pediu para escrever sobre o tema, contudo deparo-me com um turbilhão de especulações a respeito.

Poderia falar do candomblé, afinal é uma das religiões mais antigas e que tem como fundamento do ato de cultuar divindades a música e a dança. Mas falta-me conhecimento de causa, vivência. Por isso atenho-me a experimentações que tive com realidades mais próximas a minha.

Começo apresentando a minha visão de religião. Estudei em colégio católico durante toda a infância, fui batizado e fiz primeira eucaristia, porém não sou adepto do catolicismo por motivos práticos e pessoais que não têm necessidade de serem discorridos aqui. Tenho alguma formação e afinidade com a doutrina espírita e um apreço e certo gosto pela cultura africana como um todo.

Durante toda a infância freqüentei missas e sermões católicos, alguns voluntariamente, entretanto, na maioria das vezes por falta de opção. De uma forma bem pessoal não conseguia acompanhar toda a rotina daquele culto a fé, era exaustivo demais. Leituras, pregações, sermões, conselhos, lições e tantos outros falatórios e frases pré-decoradas que lembravam uma sabatina de uma prova oral. Lembro-me de muitas crianças, como eu, que eram mandadas brincar nos arredores da igreja, onde aconteciam as missas, já que as mães não conseguiam conter tanta inquietude.

Minha primeira comunhão foi repleta de músicas, canções que dinamizavam a cerimônia, talvez para aplacar a euforia infantil daqueles que deveriam permanecer ali durante mais de uma hora esperando o momento de receber pela primeira vez o “corpo de Cristo”. Sim, hoje penso que foi uma forma lúdica de levar a cerimônia sem que caísse no descaso, como toda brincadeira termina por cair. Funcionou. Entre aulas de música e seleções para solistas os ensaios e a cerimônia correram divinamente. (rs)

Depois disso, outras poucas missas tiveram a presença dos iniciados na comunhão com o divino.

Com a adolescência e toda a sua euforia em conquistar o mundo, só voltei a um ambiente religioso na época do cursinho por convite de uma amiga. Era uma celebração batista, nunca havia estado em uma. Impressionei-me com a quantidade notavelmente superior de cantigas entoadas durante a cerimônia. Elas misturavam-se as pregações e muitas eram de uma musicalidade admirável, nada que se comparassem as apáticas conhecidas por mim. Não imaginaria algo assim.

Percebi com o tempo que religiões com uma doutrina semelhante em conteúdo, mas diferente em postura, se comparadas à católica, possuíam um arsenal maior de musicalidade do que eu estava habituado. E não se tratavam de trechos cantados de uma cerimônia, mas, sim, de canções como quaisquer outras. Canções com letras, melodias, ritmos que vão do lírico ao hip-hop.

Alguém já parou para se perguntar o quanto a música aproxima pessoas de diferentes classes sociais, níveis de escolaridade, padrão financeiro, entre muitos outros fatores?

Não importa quem está ao lado de quem, de onde vem, o que possui, ou qualquer outro tipo de generalidade que as diferenciem, cantando todos se igualam como num coro que formasse uma só voz, com um mesmo propósito: louvar o seu Deus tendo ele o nome que for.

Essa foi a jogada. Acabar com a monotonia e unir aqueles que buscam conforto para seus problemas procurando apoio na fé. Religiões americanas já trabalhavam música como forma de oração. Essa moda chegou ao Brasil, primeiro nas instituições consideradas pelo Vaticano menos ortodoxas e, agora, pela católica.

Missas cantadas, padres cantores, DVDs que renovam a fé através de canções de louvor, e pensar que há algum tempo tudo não passam de “améns”. A música envolve, liberta, acalma e já é usada, inclusive, como terapia, por que não utilizá-la como artifício para renovar a fé?

A música toma o lugar de oração, entoando letras glorificantes os fies se deixam envolver pelo sentimento de elevação de suas adorações, pedidos, súplicas, se aproximam de Deus, seja ele Jesus, Jeová, Oxalá ou qualquer outro nome que receba. A música como forma de oração conecta o ser humano a sua concepção de força maior, responsável pela gestão do universo e tudo que há nele. Envolve numa espécie de transe quem canta, elevando seus pensamentos a única divindade capaz de amenizar suas angústias.

Se existe de verdade um Deus? Isso não serei eu a responder, afinal acredito que exista, sim, uma energia maior que o pensamento, capaz de mover as famosas “montanhas”. A essa energia chamam fé. Fé em que? Isso cabe a cada um decidir, ou escolher, ou encontrar, não sei. Mas a certeza é de que a música como mecanismo para aproximar o humano ao divino tem contribuído para a renovação das instituições religiosas, para a volta de seus seguidores e como refúgio para o sofrimento de um mundo tão massacrado como este no qual vivemos.

Para terminar, gostaria de previamente desculpar-me com aqueles que, de alguma forma, possam ter sentindo-se ofendidos com algum trecho do texto que acaba de ler. Entretanto, lembro que todo o conteúdo do mesmo, por se tratar de um tema repleto de interpretações pessoais, não é para ser tomado como verdade absoluta. Apenas é a explanação de pensamentos MEUS a respeito de uma proposta lançada sobre a ligação entre música e religião.

Alexandre Rodrigues