quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Santo Orixá.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Vendedores a beira de um ataque de nervos
Simpatia, boa comunicação, boa aparência e ótima lábia, essas são as qualidades que todos acham que fazem de um vendedor completo e eficaz. Mas, não é! Defendo até a morte que todos, absolutamente todos, deveriam passar pela experiência na área de vendas.
Ser vendedor é muito mais do que saber identificar a necessidade ou vontade do cliente, é preciso identificar como fazê-lo desejar o algo a mais, fazê-lo sentir-se bem em estar adquiriando determinado produto. Satisfação, não de suas necessidades, mas de seu prazer em comprar. Para quem acha que isso é injusto para com os clientes, provo que não.
Sabe aquela peça de roupa quase perfeita? Pois é, quase. Faltou a ela um centímetro a mais na cintura, um dedo mais alongada na manga, uma cor que não está na cartela da coleção, ou mesmo não pareceu bonita tanto quanto no manequim. Satisfeito? Não?
Então continuemos. Clientes normalmente devem imaginar que a loja se arruma sozinha, só isso explicaria a necessidade de desdobrar todos as peças de uma pilha de roupas milimetricamente arrumadas para sua admiração à procura do tamanho. Alguém já pensou em perguntar ou mesmo pedir ao vendedor o tamanho correto do produto desejado? Dá trabalho ter que arrumar por inúmeras vezes a mesma seção e manter o bom humor.
Entendo, também, que existem clientes de desejo, aqueles que não necessariamente precisam de algo, mas a vontade de elevar a auto estima presenteando-se a si mesmo. Mas, convenhamos, ainda que a intenção de compra não seja efetiva, é preciso experimentar a loja inteira, fazer o vendedor subir e descer escadas com pilhas de roupa para terminar o atendimento com um: "obrigado, mas nada ficou bom". Oras, ainda que fosse uma peça de ouro, conceituada por todos os estilistas como uma obra de arte e, ainda, estivesse a custo quase zero, não era a peça o problema, mas quem a usa. Ou isso, ou o simples prazer em ter alguém servindo-o. Prefiro acreditar na primeira hipótese.
Por fim, e não menos importante, todos sabemos que qualquer loja possui horário de funcionamento, correto? Creio que não, pois existem aqueles que insistem em chegar minutos antes do fechamento e prolongar-se por tempos, muitas vezes, infindáveis. Entendo que imprevistos acontecem e que, em casos específicos, ocorra a necessidade de um atendimento em horário extra funcionamento de loja. Mas, alguém já se deu conta que o funcionário ali presente e simpático trabalhou todo o seu período e não está ganhando hora extra? Pensou que ele pode perder a condução e ter que ficar mais uma hora no ponto de ônibus esperando a próxima?
Enfim, apesar do desabafo de muitas bocas terem tomado corpo em forma de texto, continuarão atendendo com qualidade cada cliente que vier com intenção de compra, afinal são como um patrão rabugento, precisamos tratá-lo bem, pois é ele que paga nosso salário ainda que estejamos a beira de um ataque de nervos.
Alexandre Rodrigues
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Neandertal pós moderno
Vizinho mata outro a tiros por causa de vaga de garagem. Adolescente mata colega de escola a tiros por dividia de R$20. Menino de treze anos esfaqueia amigo de dez por derrota em jogo de videogame. Mulher é espancada pelo marido e decide não prestar queixa. Professor é agredido por aluno em sala de aula. Mães jogam filhos recém-nascidos em lata de lixo. O que está acontecendo?
Estamos na era da intolerância, parece deixarmos que o nosso lado irracional nos domine, ignorando o bom senso e o uso da fala que tanto nos esforçamos para fazer-se entender. Não, não podemos comparar o homem aos animais, estes últimos em seu habitat atacam apenas para comer e/ou defender seu território, lei natural da sobrevivência. Não existe violência gratuita como as tão frequentemente vistas nos noticiários diários.
Psicólogos e estudiosos defendem vertentes para esclarecer o que acontece, criam nomes e teorias para explicar comportamentos agressivos e justificam tudo como sociopatias e síndromes fajutas que não passam de tentativas de amenizar a angústia generalizada que assolou a sociedade.
O bulliyng, por exemplo, sempre existiu e se tratava de algo normal até a década de noventa. Brincadeiras agressivas de crianças que precisavam de um pouco mais de atenção para suprir a ausência dos pais em suas vidas. Mas quando isso passa de exceção a regra? E quando a estrutura social muda? Será que tudo acompanha? Pelo visto precisamos rever esse conceito, ao invés de tentar justificar os atos cometidos e que não tem como serem evitados.
Deram-nos o direito de exigir nossos direitos, de gritar pelo que acreditamos, mas nossas vozes parecem mudas. Há, ainda, o medo de represálias, de sermos calados de maneira definitiva. Voltamos à lei da selva, na qual vence o mais forte e, na selva de pedra, os mais fortes não necessariamente tem o porte atlético e precisam sujar as mãos. Usam roupas finas, frequentam lugares requintados e se preocupam com o corpo apenas por estética. Dificilmente sabemos quem são, possuem tantos sob seu controle que formam verdadeiros bandos com sub-hierarquias sob seu comando e quando são pegos não a justiça sobre eles, pois eles são a justiça.
Voltamos à era dos homens das cavernas, num processo de involução, retrocedemos no tempo e viramos primatas pós-modernos resolvendo tudo na pancada sem apelar para o diálogo. Não queremos saber quem estar com a razão, queremos tê-la a qualquer custo. Deixamos de dar valor a vida quando passamos a dar valor demais à riqueza. Aproveitamos a modernidade e trocamos os tacapes (pedaços de madeira usados para caçar) por armas e jogos de interesses.
Exterminamos os dinossauros e estamos fazendo o mesmo com nossa fauna e, como já não temos mais a quem dominar, por que não fazer isso com o nosso igual? Afinal somos seres superiores, Neandertals do século XXI com direito sobre o mundo que habitamos e sem leis para controlar-nos.
Alexandre Rodrigues
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Daybreak
Acabo de chegar do cinema, vício que faço questão de alimentar, e se me perguntarem se indicaria o filme que acabo de assistir, a resposta seria: sim!
quinta-feira, 24 de março de 2011
Quanto tempo???
Estava pondo em prática um hábito, digamos vício meu (cinema), quando me deparei com a seguinte situação: fim de filme, as luzes nem acenderam ainda e dezenas de pessoas já encontram-se de pé dirigindo-se a saída.
Meu Deus, seria demais esperar que o cast de atores começasse a subir na tela para que devagar e preguiçosamente pudéssemos levantar e nos dirigir ao lanche/jantar discutindo o que acabamos de ver???
Não... seria realmente pedir demais!!! O filme já acabou, o que estamos fazendo aqui ainda sentados??? Alguém já se perguntou o porquê de as luzes demorarem de acender e fazerem isso de forma lenta e suave??? O proquê de pedirem no início da sessão que desliguemos os celulares???
A idéia de uma sala escura, climatizada e sem interferências externas é para que possamos nos delisgar do mundo e sucumbir a algumas horas de fantasia. Poder esquecer a realidade tão corrida e dura e relaxar com uma história de um gênero que nos agrade. Os letreiros finais não estão ali apenas para que saibamos quem fez o que no filme que acabamos de assistir, afinal se esse fosse o único propósito as letras deveriam vir em tamanhos maiores.
Mais do que simplesmente o elenco e equipe técnica, aqueles minutos finais são a volta a realidade feita de forma sútil, com uma boa música, com as luzes se acendendo de forma gradativa para não termos aquela sensação de irritação nos olhos. É o momento da espriguiçada preguiçosa, do "gostei" ou "não gostei", a hora de refletir sobre o que acabamos de ver.
Entretanto, temos muito mais o que fazer do que simplesmente esperar que o letreito suba com um milhão de nomes que nunca nem se quer ouvimos falar em toda nossa vida. A um mundo lá fora que não parou para esperar que saíssemos da sessão de cinema, que por sinal é um luxo quase desnecessário já que podemos comprar um dvd pirata de um lançamento em qualquer esquina e assistir no conforto da nossa casa, ou mesmo baixar no iphone.
O tempo que cada vez mais segue como um papa léguas, em velocidade inalcansável, têm nos trasnformados em lentos coiotes e nem temos nos dado conta disso. Afinal, se não temos tempo de ir ao cinema e se deliciar com toda sua magia, quem dirás pensar na velocidade que a vida tem passado.
Alexandre Rodrigues
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Discurso de Fomratura
Durante toda minha vida imaginei como seria esse momento, como seria estar aqui e falar na frente de todos e confesso que nenhuma das minhas expectativas chegou se quer perto da real sensação de resumir uma história de quatro anos, para alguns até mais do que isso, em alguns minutos de discurso. Bem, o momento chegou e aqui estamos, realizando um sonho, mas a fantasia deixamos apenas para esse momento especifico, pois durante o período que estivemos juntos construindo nosso conhecimento, tivemos que lidar com realidades duras e se conseguimos foi com muita força, paciência e acima de tudo perseverança. Estamos aqui hoje celebrando o fim de um ciclo e o inicio de um novo. Depois de tanto tempo, finalmente a comemoração de mais uma vitória. Entre aulas, trabalhos, provas, estresses, correrias, a força e a vontade de chegar até aqui foi ainda maior fazendo-nos lutar por aquilo em que acreditamos. Mas não é o final. Nos conhecemos jovens, descobrindo o mundo e nos tornamos adultos juntos. Acompanhamos não só a trajetória da formação profissional, mas o crescimento e amadurecimento pessoal do outro, compartilhando momentos dos mais varidos. Mais do que colegas de faculdade e agora de profissão, nos tornamos amigos e esse laço não sucumbi a distância física, sim ela é real e a partir de agora cada um de nós tomara o seu caminho e para muitos será cada vez mais dificil o contato diário ao qual estavamos acostumados, porém não importa em que lugar do globo estejamos, cada vez que lembrarmos da época da faculdade teremos a certeza de que fizems amigos de uma vida inteira e não importa a geografia eles continuarão bem perto de nós, pois os traremos gravados em nossas memórias e em nossos corações.
Enfim, hoje é dia de comemoração, de conquista, mas nenhuma vitória é solitária e nenhum vencedor responsável por todo o mérito, por isso é o momento também de registrar e agradecer aqueles que nos ajudaram a chegar até aqui.
Primeiro quero agradecer ao Cara La De Cima, independentemente do nome que receba, é fato que existe uma força maior que rege todo esse movimento ciclico chamado vida, e à Ele o agradecimento pelo dom que nos foi dado de estarmos aqui entre muitos queridos vivenciando essa experiência única em nossas vidas. Maktub.
Não há como não agradecer também aos nossos pais, sejam biológicos, de coração, de afeto, de respeito, deixemos registrado o agradeciento pelas oportunidades e pela dedicação de uma vida. Estarmos aqui hoje não é um sonho só nosso, mas a realização de algo maior, a qual vocês junto conosco compartilharam de forma milimétrica e estão aqui em cima também representados, pois essa conquista não seria possível sem o apoio, sem a educação, sem a dedicação, sem os esporros, sem os puxões de orelha e principalmente por muitas vezes terem deixado de lado seus proprios sonhos para que pudessemos realizar os nossos. Por isso fica o nosso mais sincero agradecimento.
Mas outros também compartilharam essa trajetória árdua de forma tão intensa quanto nós. Aqueles que estiveram sempre ao nosso lado nos aconselhando, ou mesmo apenas em silêncio, mas a simples presença nos dava força e apoio para continuar. Nossos familiares, irmãos, avós, padrinhos, tios, primos, a vocês que formam as bases de nossa educação e respeito ao próximo o nosso muito obrigado.
É preciso, também, agradecer às nossas fontes de conhecimento e de inspiração. Muito mais do que professores, mestres de uma vida. Foram árduas e infinitas aulas, porém mais do que didática, paciência e muito desgaste, vocês contribuíram para formação, não só de profissionais, mas de seres mais humanos. Tenham certeza que o conhecimento compartilhado não foi em vão e ainda que nos falte experiência, os conselhos e palavras ecoarão em nossas mentes fazendo-nos encarar a vida de jornalistas com o dicernimento necessário para fazer a coisa certa. Por isso, o nosso muito obrigado aos aqui presentes, aos ausentes, aos primeiros, aos sempre, aos nossos professores e mestres.
Há ainda aqueles que estiveram sempre ao nosso lado, independentemente da epóca em que entraram em nossas vidas. Os amigos. Amigos são irmãos que vida se encarrega de colocar na vida da gente, então só é preciso reconhce-los. Como escreveu o jornalista por vida Paulo Sant´ana, “eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos [...]porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo”. Então para vocês meus, nossos amigos, o agradecimento pela compreensão, pela presença, pelo ombro, pela cumplicidade e pela amizade.
Registrados, ainda que superficialmente, o nosso agradecimento a todos que partriciparam dessa nossa vitória, volto a vocês, jornalistas, amigos. Podemos encarar isso como um fim, mas acreditem , é apenas o começo de nossas vidas. E alguns desejos se fazem presentes. Desejo que sejamos ainda mais guerreiros para nos tornar os melhores em tudo que tenhamos pretensão de realizar, mas que nunca nos falte a humildade necessária pra saber que ninguém é tão bom que não possa ser substiuído. Desejo que possamos ter a certeza que pedir ajuda não nos faz incapaz de realizar uma tarefa, entretanto por mais que sejamos rapidos sozinhos, chegaremos muito mais longe se tivermos com quem compartilhar planos. Desejo que tenhamos coragem de começar de novo, recomeçar, e inúmeras vezes se for necessário, porque nunca é tarde para mudar. Mudemos, pois nada que permaneça inerte evolui. Ousemos, pois correr riscos faz parte do sucesso e só aqueles que ousam conseguem destacar-se. Erremos, pois ninguém é perfeito e errando também se cresce. Contudo, sejamos felizes fazendo aquilo que nos propusemos desde o início, porque viver sem paixão é apenas existir e estamos aqui para fazer a diferença.
Então que a diferença seja feita.
Parabéns Jornalistas!!!
Obrigado.
Alexandre Rodrigues
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Seja feita a MINHA vontade
Depois de muito tempo sem escrever venho novamente dar o ar da graça. Não por falta de vontade, mas em fase de conclusão de curso e outros afazeres que me tomam o tempo, a dedicação a escrita voluntária torna-se quase impossível. Mas enfim, aqui estou de volta.
Cobrindo uma sessão especial sobre violência na Câmara Municipal de Madre de Deus, em meio a discursos calorousos, pedido de ajuda e investidas dos cidadãos sobre os políticos e oficiais ali presentes, alguns supostos culpados foram nomeados. Entretanto, um deles me chamou a atenção pela ênfase e repetição nas falas da maioria: a segregação familiar.
De certo a estrutura familiar mudou. As mães deixaram o lar para ganhar o mercado de trabalho, os pais, que já eram acostumados a estar sempre fora mantendo a família, agora intensificam essa busca por uma melhor condição, devido ao alto custo de vida e a demanda cada vez maior de profissionais para um mercado cada vez mais enchuto. Os filhos agora são criados por babás, creches, escolas que ofereccem atividades extracurriculares para preencher o tempo ocioso, ou mesmo são deixados com irmãos mais velhos – as vezes nem tão velhos assim – para que os pais possam sair e conquistar o pão de cada dia.
É fato que os tempos mudaram e entramos hoje numa sociedade mais permissiva do que as que nos antecedem. Essa permissividade exacerbada, desmedida, traz como consequência uma inversão nas relações de poder que deteriora os valores educacionais. Para compensar a ausência, os pais terminam exagerando nos mimos e/ou liberdade como uma tentativa de minimizar os danos. Ainda pode-se citar os casos de por falta de uma estrtura familiar saudável, o “não saber lidar com a situação” gera uma falsa visão de que “o que não tem remédio, remediado está”.
Contudo, tivemos sempre o ensinamento que representamos na vida a educação que tivemos em casa. Mas, e se não houver uma educação exemplar, o que seremos? Essa sociedade que temos hoje é um reflexo, digamos, primário dessa “falta de educação doméstica”. Logo, se não há uma figura a ser respeitada no ambiente familiar como implementar padrões de respeito e de hierarquia?
Pais sem autoridade geram crianças sem limites. Crianças sem limites tornam-se alunos sem senso de hierarquização, jovens sem senso não sabem o siginificado da palavra respeito. E essa bola de neve se agrava de tal forma que, quem deveria estar educando, está se tornando refém dessa geração ditadora da sua vontade. Pais não tem mais controle sobre seus filhos, professores são agredidos se contrariam a vontade dos seus alunos, até mesmo policiais são enfrentados se colocarem-se entre um desses jovens e suas vontades.
Em meio a tanta falha no sistema familiar-educacional, ainda nos deparamos com leis que defendem esses ditadores juvenis: o Estatuto da Criança e do Adolescente. É compreensível que exista uma média etária para definir a maioridade, porém um jovem capaz de fazer valer suas vontades/desejos, capaz de enfrentar pais e educadores e, indo ainda mais longe, capaz de, apesar de ter noção de certo e errado, infringir normas e regras sem se preocupar com as consequências pela sua condição de menor, deveria, também, ser observado como responsável por suas ações.
Não estou aqui querendo fazer apologia a agressão contra menores, muito menos a flexibilização do sistema de julgamentos, porém a falta de uma conduta padrão exige uma reavaliação nos conceitos de uma sociedade que usa o termo “moderma” para camuflar a postura excessivamente permissiva. Talvez estejamos precisando nos permitir comparar essa geração com as anteriores e, até mesmo, adotar posturas consideradas obsoletas. Afina, como diz meu avô: "Uma boa palmada nunca matou ninguém”.
Alexandre Rodrigues